Blog do Halfin


Elegância: a proximidade entre intenção e gesto?

A relação entre ídolos e fãs sempre foi baseada em admiração por algo que gostaríamos de ter e transformamos em referencia. E se tem uma qualidade que torna uma mulher especial é a preservação de sua elegância nata. Poucas conseguem, talvez por tentar ser fã ao invés de protagonista. 

Fato é que quando uma postura elegante se traduz em gestos e atitudes, além de beleza, berço e competência,  os homens se transformam em escravos (in)conscientes da essência feminina. Mesmo quando não percebem. 

 Não há como citar outra referencia: Audrey Hepburn foi a personificação da mulher elegante. 

Ela era linda. E elegante. Chique e elegante. Competente e elegante. Charmosa e elegante. E eu só não me ajoelharia em frente dela, porque mulheres elegantes abominam homens que se rebaixam. Mas, a cada vez que assisto a algum de seus filmes ou leio algo sobre esta mulher, sou obrigado a reverenciar a sorte de a ter como modelo feminino de meus sonhos e fantasias.  

Ela nasceu nobre. Filha de banqueiro e sua mãe foi casada com um nobre holandês antes de casar com seu pai. Para ser poupada da crise familiar quando seus pais se divorciaram, foi para um internato quando teve seu primeiro contato afetivo com a vida artística: o balé. Usou o balé, durante a guerra, para angariar fundos para a Resistência e levava mensagens secretas em suas sapatilhas.  

Depois da guerra, tentou ser bailarina profissional, mas sua altura não permitiu. Resolveu ser atriz e foi vista por Collette que buscava alguém especial para viver Gigi. Collete também se encantou com Audrey. 

Não muito tempo depois, Audrey foi  princesa em "A princesa e o plebeu" e além de princesa virou estrela. Ganhou o Oscar de melhor atriz. Depois, atuou em Sabrina e recebeu seu segundo Oscar. Além dos Oscares, casou-se com o talentoso Mel Ferrer. 

O filho de Audrey e Mel, Sean, nasceu em 1960, não sem antes, ela sofrer muito para conseguir alcançar a maternidade. Foram vários abortos e crises depressivas. Nestes período conturbado, filmou "Guerra e Paz",  "Cinderela em Paris", "Amor na tarde", "A flor que não morreu", "Uma cruz a beira do abismo", "O passado não perdoa".

Seriam os títulos dos filmes, um retrato de uma mulher de verdade ou mera coincidência? 

Após um ano e meio de licença-maternidade, voltou a Hollywood para estrelar "Bonequinha de Luxo", seu grande sucesso.

Na década de 1980, Audrey voltou a se dedicar as causas sociais. Tornou-se embaixatriz da UNICEF. Foi uma forma de agradecer sua sobrevivência durante a guerra. Audrey, dominava vários idiomas e focou sua vida para ajudar quem precisava. Sua única parada foi para viver um anjo em Além da eternidade. 

Não foi uma ironia. Audrey se transformou em anjo em 1993, aos 63 anos. 

A elegância pressupõe aceitar destinos. Mas, também desafiá-los. Não são raras as oportunidades em que percebo que a preocupação com o belo tem deixado, em um segundo plano, a atenção com os detalhes. Com os gestos. 

Talvez seja culpa dos homens que focam mais a estética. Mas, não acredito nisso. Os homens prezam a delicadeza dos gestos, mas talvez não tenham consciência. Fruto de nossas distrações, a mulher busca a atenção do reconhecimento através da beleza e muitas vezes abrem mão de suas forças e fragilidades. Forças que surgem na fragilidade e fragilidades que se desnudam nos momentos mais fortes da mulher. 

Homens querem mulheres elegantes. Atributo esse que faz parte da essência feminina. Só cabe a elas não abrirem mão disso. Ou não?  




Escrito por Halfa às 09h55
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Por que ter medo de Virginia ?

Em literatura, fluxo de consciência é uma técnica literária em que se procura transcrever a complexa construção do pensamento de um personagem. O raciocínio lógico é entremeado com impressões pessoais momentâneas e mostra os processos de associação de idéias. 

A utilização dessa técnica mostra o ponto de vista de um personagem através do exame profundo de seus processos mentais, mesclando as distinções entre consciente e inconsciente , realidade e desejo, as lembranças da personagem e a situação que é narrada no momento.

Na peça "Quem tem medo de Virginia Wood", Martha e George são um casal de meia idade que chegam em casa embriagados e recebem um casal mais jovem, também embriagados, e Martha (que no cinema foi interpretada por Elizabeth Taylor), após uma discussão com o marido, humilha George e começa se insinuar abertamente para seu hóspede. 

George reage propondo um "jogo da verdade" induzindo as pessoas, a seu redor, confessarem detalhes íntimos, mas ele jamais confessando quando diz a verdade ou mente sobre si mesmo, induzindo seus confusos interlocutores dizerem mentiras que pensavam ser verdades (geralmente omitidas e escabrosas), mas logo desvendadas pelos outros.

Virginia Woolf fazia uso frequente dessa técnica e é considerada uma de suas precursoras. Seu romance, Mrs. Dalloway ficou conhecido pelo filme As Horas   baseado na obra homônima de Michael Cunningham, filme no qual Virginia foi interpretada por Nicole Kidman, premiada com um Oscar por seu retrato da escritora britânica. O filme conta várias histórias, mescla a vida da própria autora numa personagem e coloca algumas particularidades de Mrs. Dalloway, numa dessas histórias. Em Mrs. Dalloway, Virginia descreve um único dia da personagem, quando ela prepara uma festa.

Já Orlando, sua obra mais conhecida e publicada em 1928, é também uma fantasia histórica sobre o período elisabetano.

Após terminar As Ondas, uma de suas obras mais importantes, Virginia Woolf estava exausta. Ela segue para a sua casa de campo para um período de descanso, e leva o livro das cartas trocadas entre os poetas Elizabeth Barrett e Robert Browning. Durante a leitura, repara na presença permanente de um cachorro, Flush. Por diversão, resolve escrever a visão desse cachorro do mundo à sua volta. Essa obra foi muito elogiada por fazer um relato minucioso sobre a época dos poetas. Ironicamente, foi a obra que mais deu retorno financeiro à escritora e a mais traduzida em outros idiomas.

Virginia se suicida em 28 de Março de 1941, após um colapso nervoso. Ela vestiu um casaco, encheu seus bolsos com pedras e se afoga no Rio Ouse. Seu corpo só será encontrado no dia 18 de abril.  

Quem de nós já não "brincou" de jogo da verdade na adolescência? Quem de nós, não utilizava nesse jogo, a ferramenta de tentar descobrir através das "pretensas verdades" de nossos amigos, quais eram os nossos limites de verdades e mentiras, realidade e ficção, pessoas ou personagens ou de nos aceitarmos como éramos vistos? 

O medo que cada um carrega consigo não é de Virginia. Muitas vezes, ouço perguntas no universo masculino se os homens tem medo de mulheres inteligentes e fortes. Creio que o cerne da questão está mais se temos coragem de assumirmos nossas fragilidades e encarar esse medo como um ato de bravura. 

Fato é que quis o destino que a verdadeira Virginia se transformasse em muitos personagens e suas verdades e obras revelassem o protótipo de uma mulher que assombra os personagens masculinos até hoje. Sejam eles reais, ficcionais ou por que não, virtuais. 

A questão que fica é: será que as mulheres também tem medo de Virginia Woolf?




Escrito por Halfa às 09h54
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Jane e as "calamidades" femininas...ou serão calafrios masculinos?

"A história ainda fala dela como uma prostituta desde muito cedo, chegada a bebedeira e que chamava seus homens comumente de maridos. Ao mesmo tempo que a descrevem como bêbada, desordeira e totalmente desprovida de qualquer concepção de moralidade, era tida por outros como generosa, tolerante, bondosa, sociável e acima de tudo corajosa, como um "leão ou o próprio diabo". - Calamity Jane: The Woman and the Legend - James D. McLaird  (2005).

A primeira vez que ouvi falar em Calamity Jane é que ela teria sido uma fora-da-lei no velho oeste americano.

Jane não era bonita. Jane sabia atirar. Jane conduzia como ninguém carroças e cavalos. Em 1868, formou um time para construir a Union Pacific e dois anos depois foi recrutada pelo General Custer (aquele que aniquilou e foi aniquilado pelos índios) como olheira do exército. Segundo seu relato, foi na guerra que ela teria salvo a vida do General Egan e o conduzido em segurança até o forte. Nesta época que Jane se transformou em Calamity Jane.  

Poucos sabem se todos estes fatos sejam verdadeiros. Os registros históricos são dúbios e carecem de confirmação e sobram versões e lendas sobre o velho oeste americano. 

O que é unânime, em todos os registros e depoimentos, é que Jane ainda trabalhou como piloto dos Correios e fazia o percurso de 50 milhas muito mais rápido que os homens. Embora muito achavam que ela era própria fosse um homem porque se vestia como tal. Provavelmente, não teria tido este espaço e emprego como mulher.

Em 1878, durante o surto de varíola em Deadwood, Jane teria sido a única mulher a ajudar nos tratamentos dos doentes, porque outras mulheres se recusaram, por medo de contágio. Durante semanas se dedicou exclusivamente a ficar com os doentes, dias e noites, e um sobrevivente teria relatado que era sempre a última a segurar a cabeça e administrar consolo para o homem que "estava prestes a partir para um outro país" (teriam sido palavras dela) 

Jane conheceu muitos homens. Entre eles, Wild Bill Hickok (conhecido como Buffalo Bill) e, embora dissesse ser casado com ele, teriam sido apenas amigos. A mentira era para preservar Bill, porque não era bem aceito que homens e mulheres fossem "apenas bons amigos" no velho oeste americano do século XlX. Fato é que depois do assassinato de Buffalo Bill, em 1876, ela teria visitado o túmulo dele diversas vezes 

Em 1885, Calamity Jane se casa com Clinton Burke. E, dois anos depois, em 28 de outubro de 1887, dá a luz uma filha. O casamento acaba, em 1895 e ela deixa sua filha no Convento de Santa Maria, em Sturgis, para que a menina não pague o preço de sua imagem e não sofra em uma sociedade machista e ela volta para a estrada. 

Em 1896, ela começa a aparecer em palcos em um show do velho oeste que ficou conhecido como "Calamity Jane! The Famous Woman Scout of the Wild West" e no ano seguinte publica, por conta própria, um pequeno panfleto, "A Vida e Aventuras de Calamity Jane.

A mulher Martha Jane Cannary (Calamity Jane) morreu em Terry, Dakota do Sul em 1 de agosto de 1903 de "inflamação do intestino" e foi enterrada no Cemitério de Monte Moriá, Deadwood. Muitas afirmam ter sido, efetivamente, a primeira feminista americana. Não, por opção. Mas, por sobrevivência.

A questão que fica é o quanto as mulheres foram discriminadas por sempre terem produzido. Terem tomado as rédeas. Terem pensado na herança ética e de imagem de sua prole, em detrimento da própria e, principalmente, terem sido sempre mais fortes, mesmo quando uma sociedade impunha uma ditadura da fragilidade feminina. A fragilidade está no medo do homem em reconhecer na mulher sua capacidade de ser forte.  E, cá entre nós, em algumas mulheres também.  Acho que a calamidade não estava em Jane. Jane amou e preservou a imagem daqueles que amou. 

E nós, homens, resolvemos simplificar. Saiu do padrão e defendeu seus direitos? Transformamos em prostitutas. Em calamidade púbica! Um retrato do nossos medos e dos nossos preconceitos. 

Alguns dirão: isso foi há dois séculos. A questão que fica? Mudou? 

Ou, nós homens, ainda temos muito medo das mulheres que nos causam calafrios?



Escrito por Halfa às 09h53
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Coco e Kiki ou Mulheres....escravas de si próprias?

"Eu criei um estilo para um mundo inteiro. Vê-se em todas as lojas "estilo Chanel". Não há nada que se assemelhe. Sou escrava do meu estilo. Um estilo não sai da moda; Chanel não sai da moda."  - Coco Chanel

Dentro da redundância que toda mulher é, por definição, algo indefinido e contraditório e que reside justamente nessa dissonância cognitiva, o principal objeto de desejo masculino, mesmo que para alguns espécimes dessa categoria, isso seja confundido com o sexo puro, simples e direto, a questão é que a inteligência feminina é pouco entendida pelos homens.

E é assim mesmo que deve ser. 

A sagacidade feminina é que ela assume seu lado fêmea justamente no ponto em que alguns homens sejam capaz de captar, mas jamais entender. Não cabe ao protótipo masculino compreender a mulher. Mas sim, saborear a incompreensão. Buscar atalhos, caminhos para que, em um desafio que alterna entre sexo, conversas, atitudes, olhares e risos, consiga tirar desta fêmea seus mistérios, sem tentar desvendá-los.

Apenas, usufruir. E respeitar essa distância. 

Qualquer tentativa de explicação será sempre confundida com invasão. Até porque nós homens não temos o timming e a delicadeza necessárias para investigar, sem deixar rastros.

No mais das vezes, somos péssimos mentirosos, mesmo que continuemos a exercer a mentira e acreditar nas mesmas. Mas, apenas nós nos convencemos.

A mulher, quando muito, se for interessante para a ocasião, nos concede o poder da dúvida que acreditaram em nossas versões, mesmo que, para  os homens, transpareça como uma verdade absoluta. 

No filme "Meia Noite em Paris" de Woodie Allen, o único personagem misterioso é "Adriana" interpretada pela maravilhosa atriz Marion Cotillard (que também foi Edith Piaf no cinema) e começa como amante de Picasso e pela qual Gil se apaixona.

Lógico que a busca sobre quem Allen teria se baseado para desenvolver a personagem se torna intensa e os críticos chegam a dois nomes: Marie Thérèse Walter que tinha 17 anos quando Picasso a conheceu e ficou oito anos com o pintor e teve uma filha de nome Maya.

E, a outra amante, Dora Maar, que ele conhece em 1935 e o relacionamento extra-conjugal também dura por quase oito anos.

A personagem do filme, porém, também informa que fora amante de Modigliani e Braque. O que não confere com as amantes acima citadas. 

Prefiro jogar minhas suspeitas que Adriana foi baseada mais em Kiki de Montparnasse. Nascida em uma família miserável em 1901, em Châtilon-sur- Seine, deixa a Bourgogne com 12 anos e vai para Paris onde é recolhida por Soutine, posa para Modigliani e Man Ray (os dois são mencionados no filme) e se torna amiga e amante de diversos artistas na década de vinte. 

“Kiki era maravilhosa de se ver, sendo seu rosto naturalmente bonito, ela o havia convertido em obra de arte, tinha um corpo prodigiosamente belo e uma voz agradável…. Kiki foi sem dúvida a rainha desse bairro de artista, sonho e destino de milhões de pessoas nos anos 20, e chegou a simbolizar tudo que oferecia Montparnasse". (Ernest Hemingway).

Certa vez, Kiki escreve "Me voilá de retour a Montparnasse, que me parait le pays de la liberté".

A exemplo de Chanel, Kiki também criou um estilo cujo foco era despertar nos homens e, por que não dizer, em si próprias um estilo onde podiam pairar soberanas suas belezas exteriores, mas principalmente ter em suas rédeas, o poder de sedução. E este poder as transformou em personagens e escrevas de si próprias. Na essência e na moda. E talvez, eternamente na história e nos corações e fantasias masculinas. 

Creio que o melhor caminho para aproveitar as mulheres não reside em tentar entende-las. Mas, escutá-las e prestar atenção em mulheres do passado apenas como uma referência do presente.

Estas não se encontram em manuais, mas nos grandes artistas e escritores. E, principalmente, em nossa capacidade de percepção...



Escrito por Halfa às 09h51
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Mulheres....mudaram elas ou mudamos nós?

Sempre fui um fã incondicional das mulheres. Não apenas no sentido estético, psicológico ou humanitário. Estes sempre, de alguma forma, chamaram atenção da humanidade.

Mas, sou um fã da natureza feminina que sempre esteve um patamar acima do nível da compreensão masculina padrão. 

Por outro lado, os homens que se dedicaram a interpretá-las e não apenas tentar compreender seus movimentos e/ou insinuações conseguiram capturar de forma exemplarmente feminina os fragmentos que mais encantam aos homens. Fragmentos estes tão sutis e tão característicos que escapam até das próprias mulheres.  

Um exemplo disso é que as melhores personagens femininas foram criados por homens em seus devaneios femininos na arte de escrever, cantar, filmar e sobretudo, sonhar. A ponto de negarem a capacidade de absorver o sentimento feminino através da arte, embora o fazendo.

Hoje vou me concentrar em uma personagem muito citada, odiada por algumas, mas que poucos a conhecem: Julia D'Aiglemont. Mais conhecida como a mulher de trinta anos de Honoré de Balzac.

Uma mulher que ousou desafiar uma sociedade napoleônica através da sua capacidade de amar o proibido. Onde proibir era uma prerrogativa social e, leia-se neste social, um universo patriarcal e limitado (mudou isso?).

"- a mulher, e principalmente a mulher moça, tão grande pelo espírito  como pela beleza, jamais deixa de consagrar sua vida àquilo a que a natureza, o sentimento e a sociedade a impedem inteiramente.

Se essa vida vem a falhar e se ela continua na terra, experimentará os mais cruéis sofrimentos, pela razão que torna o primeiro amor o mais belo de todos os sentimentos.

Porque essa desgraça não teve jamais um pintor nem um poeta? Mas será possível pintá-la? cantá-la?

Não. A natureza das dores que ela engendra escapa a análise e às cores da arte.

De resto, estes sofrimentos nunca são confiados: para se consolar deles uma mulher é preciso adivinhá-los, porque, sempre amargamente contidos e religiosamente sentidos, eles permanecem na alma como uma avalancha que, precipitando-se num vale, destroça tudo antes de encontrar seu caminho.

Julia estava tão abismada nesses sofrimentos que por muito tempo ainda permanecerão desconhecidos, porque tudo no mundo os condena, ao passo que o sentimento os afaga e a consciência de uma verdadeira mulher os justifica"

O amor proibido continua proibido. O amor proibido continua sendo amado, o amor ainda é calcado nos sentimentos e o sofrimento da mulher talvez tenha encontrado novas formas de expressão ou de solidão. Mas, terá sido uma solução  confiável ou uma nova justificativa? 

Obra citada: 

Honoré de Balzac - A mulher de trinta anos - Paris - 1844 - 

Editora L&PM Editora - 1984    




Escrito por Halfa às 09h50
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A terceira pessoa do plural e suas singularidades

 

A cada dia que passa tenho me interessado mais pelas pessoas. Entender o que as move. O que as torna felizes. E percebo que existe uma distância entre a felicidade confessa e a vivida. E uma distância ainda maior na felicidade sonhada.  

Desde então, resolvi incluir as ilusões em meu cotidiano. Vivo as ilusões. Até porque se, por um lado, alguns me julgarão louco, por outro, meus sonhos e fantasias serão mais reais. E como tanto os sonhos como as fantasias podem ser ou não loucas, dependendo do prisma do olhar de cada um de nós, chego a pensar que os loucos serão sempre mais felizes, mesmo quando fantasiarem serem normais. Fato é que ser normal é chato. Tem a ver com normas. E se por um lado normas podem ser legais (tanto no sentido jurídico, como no adjetivo), a loucura nos leva ao risco de sermos nós mesmos. E quando conseguimos ser nós mesmos é que percebemos o quanto nos vemos com o olhar do outro. Descondicionar esse olhar tem a ver com muito mais com o imaginado do que com o real. E o imaginado é verdadeiro e o real se reduz a uma metáfora do que nos faz felizes.

Vivemos na contradição do que sentimos e expomos. Julgamos pelo olhar de outros e nos penitenciamos sob a ótica de terceiros...conjugamos a imagem do eles e nos conformamos em sermos nós quando queremos ser eu. Alguns se referem na terceira pessoa a si próprios. Outros adaptam a concordância dos outros para as referencias de si próprios. Mas, se qual for o verbo, na vida as pessoas tem tratado os verbos regulares com a conjugação dos irregulares e transformado suas vidas em pretérito imperfeito ou mais que perfeito. Cheguei a conclusão que prefiro o futuro incerto. Talvez não tenha nada de concreto em minha vida hoje. Mas, tenho preferido a implosão.  Eu quero viver o que sinto e percebo e ando preferindo o cubismo de Braque e Picasso ou o surrealismo de Dali que o realismo do século XIX em pelo XXI...

 

 



Escrito por Halfa às 13h47
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Diálogos da escuridão...

 - Olá, feliz de ir ao cinema com você.

 

- Eu também! Seus pais não invocaram? Achei tão estranho eles deixarem você vir ao cinema comigo.

-  Assim...mais ou menos. Eu falei que estava indo com a Bia. Não disse que seria com vc.

- E se alguém encontrar a gente?

- No escuro? fica tranquilo.

- Bom, cê que sabe.

- Moço, duas meias, por favor.

- Você quer pipoca?

- Ah, sei lá? divide comigo.

- Vamos entrar.

- Que filme a gente veio assistir?

- Aquele que vimos no cartaz.

- Será que é bom?

- Acho que é. Todo mundo disse que é.

- O que todo mundo falou?

- Que é bom. Suspense.

- É filme de medo?

- Qualquer coisa estou aqui.

- Jura? Que lindinho.

- Gostou desse lugar?

- Dá licença?

- Pisei no seu pé, moço? Desculpa viu

- Amor, esse cara sentado na minha frente é muito alto. Troca comigo?

- Dá licença de novo? Obrigada.

- Começou o filme?

- Não, esse é o trailler.

- Ah, gostei. Acho que seria melhor a gente ter ido neste.

- Amor, nós viemos ver o filme que você falou a semana toda!

- Ah, fique na dúvida agora. Mas, tudo bem. Vamos ficar.

- Começou o filme agora? Começou? Começou?

- Começou.

- O que aconteceu?

- Calma amor. Estou assistindo.

- Não entendi. Explica?

 

Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

 

- Ah, amorzinho, não estou gostando do filme. Não estou entendo.

- Depois eu te explico, amor.

- Você viu quem é esse? Não é aquele ator que fez aquele outro filme?

- É. É ele.

- Nossa amor! que resposta seca. Nunca mais venho no cinema com vc. (chorando de manha). E eu me arrisquei em casa e você me trata desse jeito?

- Amor, depois a gente conversa. O filme é legal. Você queria assistir.

- Não tô gostando. Não tô entendendo.

- Fiquei triste agora. Você foi grosso comigo.

- Amor, desculpa. Mas, aqui temos que ver o filme.

- Custa me explicar o que eu não entendi ?

- Nós estamos incomodando as pessoas.

 

Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

 

- Ai que gente chata.

- Amor, vamos embora?

- Tá bom, vamos.

- Dá licença, dá licença....desculpa! Pisei sem querer!

 

Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

 

 

- Amor, quero um sorvete.

- Tá legal. Qual sabor você quer?

- Ah, sei lá. Tanto faz. Escolhe você

- Qual sabor você quer?

- Seu beijo.

 

Nem viveram tão felizes e nem foi para sempre. Mas, esse dia não foi esquecido.

O tempo se encarrega de transformar dramas em comédias.

Não lembro do filme. Lembro do beijo e da pipoca.

Isso que interessa. O resto?

Um eterno "the end"

Ou será um deja-vu de nossas memórias?

 

 



Escrito por Halfa às 13h38
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Euforia

Se eu fosse

Vc não sentiria

E talvez nem houvesse

Quem me magoasse com

Essa euforia

 

Se vc viesse

Eu não a teria

E, com certeza, finalmente sentisse

Essa sensação de alforria!

 

Como eu queria ter feito vc partir

Me permitindo a sonhar

Evitado me repartir

E com meus cacos

Parado de me ferir

 

Como eu queria ter feito vc voltar

Ter visto vc chorar

Evocando meu sorriso

E com minhas garras

Te machucar

 

 



Escrito por Halfa às 13h36
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Eles usam black-tie

 

O texto original de Guarnieri contava a história de Tião e abordava questões sócio-políticas e enfatizava questões sobre família, lealdade e ideologia. Falamos de um tempo de Brasil onde as pessoas lutavam para ter direitos de escolha. Um tempo onde a esperança residia na possibilidade de haver o direito de ter opinião. E, nestas opiniões, estavam inseridos os direitos de estudar, trabalhar e estar e permanecer vivo com uma palavra, que vem tendo seu significado mudado, vilipendiado e mesmo desaparecido em tempos atuais: dignidade!

As grandes discordâncias vinham na orientação ideológica que iria propiciar maior dignidade. Mas, a grande maioria concordava que ter dignidade era premissa básica e direito de qualquer cidadão!

Ser digno é ter direito a qualidade de vida e não receber esmola. O personagem Teteriev de Gorki na peça Pequenos Burgueses equivale a esmola as piores ofensas que um ser humano pode fazer por outro ser humano. A esmola é resultado de pena e sentir pena de alguém é reconhecer sua total incapacidade em reagir ou ser alguém.

Na história de todas as ditaduras há inúmeros casos de desrespeito aos direitos humanos, violência física, moral e desvios financeiros e comportamentais. Mas, quem praticou estes delitos, reconhecem como tal e sempre negaram, de forma veemente, que tenham cometido atos e comportamentos tão repulsivos. O ato de negar, de certa forma, também pode ser interpretado pelos mais otimistas que ainda tenha restado um resquício de discernimento entre o que é certo ou errado, mesmo que não se pratique.

Nestes últimos anos, temos assistido a um show de horrores no que se refere ao comportamento humano em nosso país.

A hipocrisia velada que levou Gianfrancesco Guarnieri a dizer e mostrar que pessoas como Tião, que não usavam black-tie, e ainda assim, podiam ser gente e ter informação e cultura (que era uma forma de apontar um preconceito) mudou de roupa, se ajustou a modismos e deixou de ser velada. Tornou-se uma hipocrisia ostensiva! Temos de tudo! Há quem defenda a volta da repressão e ditadura, há quem se arvora a decidir o que é politicamente certo ou errado e há aqueles que se aproveitam da onda para praticar crimes. Simplesmente, porque perdemos os limites e, com certeza, alguém irá arranjar alguma desculpa para que crimes se transformem em boas intenções.

O cidadão brasileiro (faço questão de usar este termo) se tornou um brasileiro sem cidadania, leis, limites e referencias! Afinamos o discurso e abrimos mão da noção mínima de respeito ao próximo e a nós mesmos!

Vestimos “black-tie” e nos despimos de conteúdo e da noção mínima de sobrevivência!

Não temos segurança, temos medo de crianças, as armas de brinquedo agora são de verdade, os profissionais são mal formados que precisam ser avaliados depois de cumprirem seus anos de estudo, se saímos de casa somos assaltados ou matam nossos filhos queimados porque não houve fiscalização básica para saber se há porta de saída, se ficamos também somos roubados e reféns porque invadem condomínios e casas, epidemias que haviam sido erradicadas voltaram mais resistentes, profissionais são queimados vivos em seus consultórios, e por ai vai de tantas aberrações que somos vítimas todos os dias!

 A questão toda passa longe de brigar por aumento de preços de transporte, saúde e segurança. Isso sempre houve e haverá. Mas, o que teremos de benefício pelo que pagamos? O que é um bom serviço? O que de fato merecemos?

Eu optei depois dos cinquenta anos a ensinar. Ensino pessoas simples, pós graduados e pessoas das mais diversas origens. E quem ensina tem por vocação tentar dar alguma perspectiva de vida. Eu olho ao redor e fico com muito medo de prometer algo.

Eu tenho tentado ensinar a amar. A pensar. E a viver bem enquanto for possível.

Penso que a nossa luta tem que ir muito além da mudança de quem está no poder. Mas, de resgatar algo que perdemos há muito tempo: afinal, o que queremos para nossas vidas?

Quem souber, avise e quem não souber vai continuar a gritar palavras de ordem que alguém elegeu como “a da vez”.

 

 

 



Escrito por Halfa às 13h33
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Cansaço

“O outro

Mário de Sá Carneiro

 

Eu não sou eu nem sou o outro

Sou qualquer coisa de intermédio

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o outro”

 

 

Estou cansado de estórias. Cansado de invenções. Cansado de “viagens”.  Cansado de deduções. Cansado de hipóteses. Cansado de versões. Cansado de teorias.

 

No filme de Woody Allen, o personagem principal ao contestar um debate sobre as religiões faz um comentário bastante cético: “as religiões partem de um pressuposto errado de que o ser humano em sua índole é bom. Não é: o ser humano é em sua essência ruim. Rancoroso. Invejoso” 

 

Na hora do filme, a afirmação me chamou atenção como sendo o tradicional ceticismo do diretor. Estava enganado. Ele apenas estava sendo sincero e, embora eu teime em aceitar, realista.

 

O amor só faz bem para quem ama.

 

Talvez minha expectativa seja alta demais. Talvez eu tenha um conceito de amizade um pouco diferente: eu me proponho a conhecer meus amigos. Saber o que esperar deles. Intuir como eles agem ou agiriam. A amizade e o gostar implicam em confiança a priori. E a confiança se traduz em saber ler atitudes hipotéticas ou “contadas” em consonância com a expectativa que temos sobre quem afirmamos gostar.

 

Eu não acho nada sobre quem gosto. Se for o caso, eu pergunto diretamente. Eu os vejo como são. Do jeitinho que fiz quando escolhi serem meus amigos. E tudo que quero é que sejam felizes de verdade. Sempre!

 

E, não vou ser hipócrita, espero o mesmo tratamento. Quando penso que erraram, eu digo diretamente porque eu pensei que estavam errados. Quando choram, pego no colo ou empresto o ombro. Eu olho no olho. Não pré-julgo quem eu digo gostar. Não levanto hipóteses sobre quem eu acredito conhecer. E espero a mesma atitude comigo! Porque, graças a Deus, eu erro muito! E tento sempre ir além do pedido de desculpas para tentar remediar quando é o caso.

 

Talvez, aos cinqüenta e cinco anos, estas sejam expectativas um tanto ingênuas. E, com certeza, são.

 

O que tenho feito é cada vez mais me tornado mais cético como o personagem de Allen. E também um pouco mais triste porque tenho aprendido que ser quem somos ou dizer o que sentimos é sinônimo de se fragilizar e, como dizem os policiais, poderá e será usado contra nós, em algum momento. E será utilizado de forma vil, mesmo que seja necessário traçar um perfil imaginário ou até adequar uma situação que pareça conveniente para o momento.  Depois, se não for verdade, pedem desculpas e logo, logo, inventam outra. Quem sabe, uma hora, cola...

 

Dizem que enxergar o ser humano como ele é o ônus da maturidade. Algo que sempre teimei em aceitar, mas é inevitável! Quem sabe seja essa a razão do meu cansaço?

 

Talvez seja por isso que Fernando Pessoa tenha usado tantos heterônimos para exprimir o que sentia. E quis o destino que justamente, seu principal “concorrente” tenha transcrito de forma tão amargurada o quanto já é sofrido sermos nós mesmos.... Imagine, outro e seus caminhos....



Escrito por Halfa às 22h20
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E qual é o problema?

A priori, o que uma empresa ou um profissional contrata quando busca uma consultoria externa são alternativas e soluções. Na mesma linha de raciocínio, a promessa de um consultor é justamente encontrar estas alternativas e soluções. Porém, muitas vezes, o grande desafio das duas partes tem origem em algo que ambos desconhecem: qual é o problema real?

 

Saber identificar problemas e suas causas é uma etapa primária em todo processo de consultoria que tem sido freqüentemente desconsiderada. Como profissional, não foram raras às vezes em que recebi propostas bastante atraentes com novas técnicas para desenvolver novos mercados de forma eficiente, treinar equipes de vendas e, até mesmo quebrar paradigmas sem que estas empresas tivessem informações sobre a que paradigmas estavam se referindo ou mesmo sem saberem se os mesmos existiam de fato e precisavam ser quebrados.

 

Porém, foram raras as empresas e profissionais que, efetivamente, priorizaram seu esforço em primeiro diagnosticar quais eram os problemas que mereciam serem identificados, as causas dos mesmos e recomendar como proceder da forma mais viável possível para que os mesmos não voltassem a se repetir.

 

O apoio de uma consultoria só se justifica quando quem contrata sabe o porquê e quem esta contratando e aceita que precisa de apoio externo para diagnosticar seus desafios, desenvolver objetivos e metas e identificar as soluções possíveis. A consciência desta necessidade e a clareza dos problemas que devem ser solucionados é o primeiro passo para estabelecer os critérios para buscar a consultoria e os profissionais mais adequados.

 

A partir do momento em que a empresa foi contratada, recomenda-se um alinhamento dos objetivos e o trabalho só deve ser iniciado quando estes estiverem claros para todos os envolvidos. Para que este alinhamento seja efetivo, é necessário que haja confiança mútua entre as partes, clareza de informações e vontade aliado a competência técnica para identificar problemas, encontrar soluções e implementar ações específicas visando objetivos claros e previamente estabelecidos. Porém, se não houver confiança recíproca, todas as outras se anulam e o trabalho estará comprometido.

 

Nestes casos, o critério de confiança não se assemelha àquelas que depositamos em pessoas de nossa relação pessoal. Tem a ver com a capacidade da empresa ou profissional contratado atingir objetivos empresariais pré-determinados. O consultor não é um mago e sim um profissional com experiência e histórias de sucesso em situações específicas.

 

A identificação dos problemas e sua análise sempre remetem a questões que já ocorreram e tem a ver com o passado recente e a história da empresa. Portanto é fundamental que o cliente seja sincero não apenas em suas aflições, mas também nos fatores e circunstâncias que levaram a empresa tomar as decisões que, no presente, se mostraram equivocadas. Por outro lado, não cabe a consultoria emitir juízo de valor e procurar culpados sobre o que foi decidido e sim buscar analisar todas as causas de forma isenta com o objetivo único de alicerçar as tomadas de decisão. 

 

A análise de decisões é feita com base na situação presente da empresa. Esta avaliação leva em conta, os erros e acertos do passado, o cenário atual e os objetivos estabelecidos. Neste momento, tão importante quanto os critérios técnicos é a intuição dos profissionais envolvidos. Em várias situações de mercado, o que diferenciou o desempenho das empresas de sucesso foi justamente a capacidade de interpretar e “ler” os cenários e as informações que eram acessíveis a todos.

 

A terceira etapa é tão importante quanto às anteriores e vem da consciência que os problemas não terminam e lidamos sempre com seres humanos e com a imprevisibilidade. Ser capaz de prever problemas potenciais, se preparar para tomar medidas preventivas e planejar ações contingentes que irão permitir ao empresário precisar menos de consultores externos ou, pelo menos, estabelecer com estes uma relação cada vez mais profissional e menos aflitiva.    



Escrito por Halfa às 11h12
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Dia Internacional da Mulher

Lembrar a importância da mulher talvez seja considerar a hipótese de que é possível esquecê-la.

Esquecer a importância da mulher talvez seja considerar a hipótese de que é possível viver sem ela.

Viver sem a mulher talvez seja considerar a hipótese de que nada é possível.

Reconhecer, perceber e amar a mulher é a única hipótese em que seremos felizes!

Obrigado por vocês existirem!


Escrito por Halfa às 10h19
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O varejo individual

Todas as iniciativas dos profissionais do setor varejista passam ou deveriam passar, obrigatoriamente, pela individualização do consumidor, mesmo quando suas ações e estudos levam em conta produtos de consumo de massa ou a globalização de suas estruturas e operações.

 

Desde o início dos anos 90, o movimento de valorização do consumidor acentuou-se e tem servido como base para profissionais e estudiosos explicarem e/ou justificarem suas iniciativas, estratégias e teses de administração e marketing. Porém, a adoção do consumidor como figura chave para qualquer análise mercadológica não significa aceitar, sem critérios, suas idiossincrasias, mas, ao contrário, considerar e interpretar seus códigos como referência para o comportamento padrão de consumo de uma sociedade. 

 

Nossa proposta parte da premissa óbvia, que por isso mesmo vale ser repetida, de que trabalhamos sempre com pessoas. O consumidor é pessoa; logo, os mercados são formados por pessoas; as unidades fabris, por mais automatizadas que possam estar ou vir a estar, são operadas por pessoas; e a distribuição visa sempre atingir pessoas. Sendo assim, são as estruturas e as operações que se automatizam e se globalizam. O ser humano, não. O homem em sua essência é tribal e afeito a seus costumes. Leia-se por homem: "o" empresário, "os" concorrentes, "os" consumidores, e "os" mercados.

 

"Cada sociedade tem hábitos que lhe são próprios. Chamo de técnica um ato tradicional eficaz ( e vejam que, nisto, não difere do ato mágico, religioso, simbólico). É preciso que seja tradicional e eficaz. Não há técnica e tampouco transmissão se não há tradição. É nisso que o homem se distingue sobretudo dos animais: pela transmissão de suas técnicas e muito provavelmente por sua transmissão oral", afirma Marcel Hauss em "Sociologia e Antropologia" 1.

 

Isso significa dizer que nossos negócios não existem sem nós. Somos o que produzimos. Somos o que vivemos. E só vivemos porque produzimos. O melhor produto é aquele que responde a expectativa de indeterminado consumidor em determinado momento, dentro de condições específicas e pelo menor custo.

 

A história cultural de uma sociedade é resultado de suas atividades para sobreviver. A qualidade de vida de uma coletividade é resultado da capacidade de seus habitantes em desenvolver suas atividades com objetividade: criação e satisfação das expectativas que permitam ao indivíduo  sobreviver melhor.

 

Por exemplo, quando o varejista de uma pequena comunidade promove iniciativas e desenvolve técnicas para aumentar o número de consumidores em determinada loja ou adota ações,  que buscam manter o quadro de clientes, ele assume códigos conhecidos em diversos níveis e intuitíveis, mesmo quando desconhecidos. O que torna estes códigos conhecidos é o meio em que se vive. Este meio é formado por consumidores individuais com hábitos e costumes similares aos dele.

 

 

 

1. HAUSS MARCEL. Sociologia e Antropologia. Volume II . São Paulo. Edusp - Editora da Universidade de São Paulo, 1974, pág. 217



Escrito por Halfa às 09h03
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Fantasias de carnaval

Andei reparando que as pessoas não se fantasiam mais no carnaval. Não é preciso. Já nos fantasiamos durante todo o ano. No carnaval apenas evocamos a nossa falsa alegria, já sabendo de antemão que as quartas feiras sempre serão cinzentas....

Os ensaios das escolas de samba se transformaram em ensaios de alegria. A diversão deve seguir tons e regras determinadas e o Rei Momo passou por uma cirurgia de redução de estômago e se tornou abstêmio. A mulata deixou de ser assanhada porque não é politicamente correto e o “Ei, vc aí me dá um dinheiro ai” se transferiu para Brasília. Não é a toa que, andam matando quem pega nossas cuecas para fazer pano de prato...afinal, cuecas podem ser valiosas hoje em dia e esconder fortunas se não viris, pelo menos vis....

Os bailes de carnaval acabaram junto com os velhos boêmios. O carnaval de rua voltou, mas alguém levou e ninguém viu. As transmissões dos desfiles de escola de samba são feitos por cronistas esportivos. E até os camarotes estão mais vazios ou menos glamorosos.

O carnaval desceu o pano antes da quarta feira de cinzas e a mesma máscara negra que cobria os olhos da colombina do arlequim, agora nos cobre da vergonha de não conseguirmos mais deixar de ser hipócritas. Fingimos tanto durante o ano todo que o carnaval se tornou um momento para refletir em qual das fantasias devemos nos acostumar.

Nosso discurso da correção e de comportamento ético só se destaca porque nos comportamos na contra mão de valores e posturas que antes nos pareciam as mais adequadas. Desejamos resgatar o que somos e terminamos nos tornando o que imaginamos ser.

O carnaval dos nossos dias nos mostra que a fantasia é sempre melhor que a realidade, até que essa nos mostre que os quatro dias de folia se tornaram repetitivos e monótonos porque justamente projeta um filme que já vimos antes: a nossa vida e a nossa realidade.....



Escrito por Halfa às 12h14
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Humanos sem recursos

O que tem justificado o investimento das empresas nas políticas de recursos humanos é a oportunidade que encontram também nesse campo em disseminar seus valores, sua cultura empresarial e sua postura junto à sociedade como vantagem competitiva.

 

Atrair e desenvolver os melhores profissionais e mantê-los em seus quadros se revelou como a forma mais consistente destas empresas consolidarem de maneira sustentada e por longo prazo, suas estratégias de negócios, seus mercados e principalmente, a capacidade de inovar.

 

Neste sentido, as ações de treinamento, no sentido de gerar o desenvolvimento profissional, tem sido alicerçada em dois alvos: os objetivos da empresa e o potencial do profissional selecionado em atender as demandas dos players que atuam nos mercados.

 

A capacidade das empresas em atrair e reter seus talentos, aliada a eficácia para gerir competências e conhecimentos e a possibilidade de formar o perfil de profissional demandado pelo mercado e pelo setor específico são os argumentos que tem amparado o crescimento do investimento pela iniciativa privada para a educação corporativa e a formação profissional.

 

Essa busca, porém, tem uma contrapartida, pois mesmo quando a educação corporativa e formação empresarial não envolvem a montagem de uma grande estrutura interna, ainda assim, o investimento não é pequeno. Nos Estados Unidos, algumas empresas chegam a investir até 3% da folha de pagamento na manutenção de universidades ou centros de desenvolvimento profissional próprias, pois estas são céticas em relação ás formas de ensino tradicionais.

 

Já quantificar o retorno é mais difícil, mas o investimento ganha sinergia e as atividades ligadas aos treinamentos e desenvolvimento tornam-se pragmáticas quando os profissionais são capazes de elaborar seus próprios objetivos enquanto profissionais. É unânime para os estudiosos sobre o assunto que é fundamental para as empresas desenvolverem seus profissionais com o objetivo de obter resultados mais eficazes nos negócios. E nesse ponto é necessário agregar um novo alvo: a coerência entre o profissional e o mercado em que atua. Para tanto, para obter um trabalho com raízes as ações e os focos devem ser integrados e abranger a organização, a gestão de pessoas, os indivíduos e a integração entre essas variáveis.

 

Deve-se destacar também nesta análise prévia que no universo da educação corporativa, “coaching” e “mentor” enfrentaremos problemas, dificuldades, condicionamentos e conservadorismos difíceis de serem suplantados. Até porque, embora tenhamos valores distintos dos americanos, herdamos a quase totalidade das iniciativas organizacionais que utilizamos em nossas empresas.

 



Escrito por Halfa às 09h12
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